Cleitinho herdará déficit de R$ 10,5 bilhões em Minas e enfrentará risco de crise fiscal
O quadro é considerado mais grave que o encontrado pelo ex-governador Romeu Zema (Novo) em 2019.
Postado em: 19/10/2026
A equipe de transição do governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) acendeu o sinal de alerta máximo diante do déficit deixado nas contas públicas de Minas Gerais. O Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) de 2027, encaminhado pelo governador Mateus Simões (PSD) à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), prevê receitas de R$ 144,99 bilhões e despesas de R$ 155,50 bilhões, um déficit projetado de R$ 10,5 bilhões logo no primeiro ano da nova gestão. O valor equivale a 7,2% de toda a arrecadação prevista e, segundo especialistas, pode comprometer investimentos, serviços públicos e até o pagamento da folha.
O quadro é considerado mais grave que o encontrado pelo ex-governador Romeu Zema (Novo) em 2019. Há oito anos, a gestão de Zema herdou uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu o pagamento da dívida com a União, adiantamento de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) da União durante a pandemia e bilhões em compensações pelos desastres de Brumadinho e Mariana. Mesmo com esse colchão, a situação fiscal piorou. Há, inclusive, risco de rescisão do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) caso as regras fiscais e as contrapartidas obrigatórias estabelecidas pela União sejam descumpridas.
A dívida com a União, que já ultrapassa os R$ 180 bilhões, é outro desafio. O temor da equipe de transição é que o desequilíbrio impeça Minas de cumprir as exigências do Propag, mecanismo federal de renegociação. Se ficar fora das condições favoráveis, o Estado terá que destinar parcela maior da receita para juros, agravando a crise fiscal.
A avaliação consensual é de que o próximo governo começa sem margem. Com um déficit bilionário já contratado, dívida em trajetória explosiva e obrigação de retomar pagamentos à União, Cleitinho herdará um Estado com risco real de paralisia. Sem uma repactuação rápida da dívida e revisão do Propag com a União – bandeira que o senador eleito Domingos Sávio (PL) já levou a Flávio Bolsonaro –, até o básico, como manter salários em dia, pode estar ameaçado.
