Uniube inaugura Cidade do Agro com investimento de R$ 32 milhões em Uberaba

Complexo da Uniube em Uberaba integra ensino, pesquisa e empresas para impulsionar inovação e formação profissional no agronegócio.

Uniube inaugura Cidade do Agro com investimento de R$ 32 milhões em Uberaba

A Universidade de Uberaba (Uniube) inaugura no dia 11 de agosto a Cidade do Agro. O empreendimento, em Uberaba, no Triângulo Mineiro, recebeu aporte de R$ 32 milhões, sendo R$ 20 milhões investidos pela própria instituição de ensino e R$ 12 milhões captados junto a empresas parceiras. O objetivo do complexo de ensino, pesquisa e extensão é qualificar mão de obra para suprir a demanda do mercado nacional no agronegócio e promover a transferência de tecnologia entre a academia e o setor produtivo.

Segundo o diretor-executivo acadêmico da Uniube, Flávio Garcia Sartori, a proposta da Cidade do Agro é reduzir o intervalo entre as demandas do campo, das indústrias e a produção de conhecimento. No complexo, estudantes, pesquisadores e empresas passam a atuar de forma conjunta em pesquisas, validação de tecnologias, desenvolvimento de produtos e qualificação de profissionais.

“O objetivo é construir um complexo conectado ao mundo do trabalho, às necessidades técnicas e aos problemas que a cadeia produtiva enfrenta para que a academia desenvolva soluções. A universidade retroalimenta a empresa e a empresa retroalimenta o currículo da universidade, formando, assim, a mão de obra. Hoje, o agronegócio do Brasil tem um déficit de vagas gigante, de aproximadamente, 180 mil vagas de emprego e apenas em torno de 28 mil profissionais disponíveis, mas que não necessariamente atendem às skills necessárias para o agronegócio”, explica Sartori.

A iniciativa reúne mais de 30 empresas, que possuem áreas próprias para pesquisas, testes e validação de tecnologias. Entre as atividades estão ensaios microbiológicos, validação genética e desenvolvimento de produtos para diferentes segmentos do agronegócio. Um dos exemplos é a área da Embrapa Cerrados, destinada à validação genética de variedades de mandioca.

A Cidade do Agro também abriga centros de treinamento voltados à qualificação de profissionais. A New Holland instalou o primeiro centro de treinamento das regiões Sudeste e Centro-Oeste, voltado à operação de máquinas e agricultura digital. O espaço será utilizado por estudantes, concessionárias e clientes da empresa.

Pesquisa aplicada e inovação no campo
Outro destaque é o centro de treinamento da Valley, destinado à irrigação por pivô central. Segundo Sartori, trata-se do primeiro do Brasil e o segundo da empresa no mundo. A Netafim também mantém estrutura voltada à capacitação em irrigação por aspersão e gotejamento, utilizada em áreas de café e citricultura.

Outro estudo avalia o cultivo consorciado de laranja e mamão como alternativa para antecipar retorno financeiro ao produtor durante a formação do pomar. As pesquisas abrangem culturas variadas como café, laranja, mandioca, milho, sorgo, mamão, batata-doce, tomate, entre outras. Na citricultura, há uma startup desenvolvendo tecnologia baseada em inteligência artificial para monitoramento do psilídeo, inseto transmissor do greening.

“A Cidade do Agro é um grande ecossistema que conecta acadêmicos, o ensino, a pesquisa, a extensão e conecta empresas entre elas”, reforça Sartori.

Projeto amplia integração entre universidade e mercado
Conforme Sartori, a criação da Cidade do Agro faz parte de uma trajetória iniciada em 1989, quando a Uniube implantou o curso de Engenharia Agrícola. Em 1997, a instituição adquiriu uma fazenda-escola de 580 hectares, voltada à formação prática dos estudantes.

“Na época, o professor Mário Palmério buscou um solo mais pobre do Cerrado e lançou um desafio aos professores que se os alunos conseguissem produzir ali, estariam preparados para o mercado de trabalho. Esse conceito continua presente na Cidade do Agro”, afirma Sartori.

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