Endividamento das famílias brasileiras bate recorde histórico
Indicador do Banco Central mostra avanço das dívidas e maior comprometimento da renda desde o início da série histórica.
Postado em: 27/04/2026
O endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% em fevereiro de 2026, renovando o maior patamar da série histórica iniciada pelo Banco Central em 2005. O dado revela crescimento da pressão financeira sobre os lares brasileiros em meio ao crédito caro, juros elevados e aumento do custo de vida.
O indicador mede a relação entre o saldo total das dívidas das famílias e a renda acumulada nos últimos 12 meses. Na prática, ele demonstra quanto o orçamento familiar está comprometido com financiamentos, empréstimos e outras obrigações financeiras.
Outro número que chama atenção é o comprometimento da renda, que avançou para 29,7%, também recorde histórico. Isso significa que quase um terço da renda das famílias brasileiras está sendo destinado ao pagamento de dívidas.
Desse total, 10,63% da renda foi usada apenas para o pagamento de juros, enquanto aproximadamente 19% foram destinados à amortização do principal das dívidas. O cenário reforça o peso do crédito sobre a população, especialmente em um ambiente econômico de taxas elevadas.
Quando desconsiderados os financiamentos imobiliários, o endividamento ficou em 31,4% em fevereiro, mostrando que boa parte da pressão financeira vem também de modalidades como cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e financiamentos diversos.
Com juros ainda elevados e renda pressionada, o recorde do endividamento acende um sinal de alerta para consumidores e para a economia brasileira nos próximos meses. A tendência é de maior seletividade no consumo e busca por equilíbrio financeiro dentro das famílias.
