Previsão aponta que El Niño pode ser o pior em 140 anos
Calendários de plantios podem mudar e produtores de café, frutas e grãos precisarão redobrar os cuidados.
Postado em: 20/05/2026
O fenômeno climático El Niño deve se estabelecer nos próximos meses e, desta vez, intensificado pelo aquecimento global acumulado nas últimas décadas. Os impactos devem atingir desde as culturas de inverno até a safra de verão, com reflexos na produção agrícola brasileira ao longo de 2026 e até 2027. A preocupação envolve desde perdas de produtividade até efeitos sobre preços de alimentos, disponibilidade hídrica e economia do país.
Os primeiros impactos já começam a aparecer nas culturas de inverno, especialmente no trigo, milho segunda safra e café. No Sul do Brasil, a tendência é de aumento das chuvas nas próximas semanas e meses. Apesar de favorecer a reposição de água no solo, o excesso pode dificultar a colheita do milho segunda safra e comprometer a qualidade dos grãos.
No café, o inverno mais quente reduz o risco de geadas tardias, mas traz outras preocupações. Com episódios de frio mais espaçados e calor chegando mais cedo, a combinação entre temperaturas elevadas e umidade pode provocar floradas fora de época em áreas produtoras de Minas Gerais e do Sudeste. Segundo Brandt, isso pode afetar o potencial produtivo da próxima safra, justamente em um ciclo de bienalidade negativa.
Para a safra de verão, os sojicultores também deve enfrentar desafios. Os modelos climáticos indicam volumes de chuva acima da média no Centro-Oeste, mas com má distribuição. “Pode chover muito em poucos dias e depois abrir longos períodos secos e quentes. Isso dificulta o planejamento do produtor e aumenta o risco de replantio”, afirmou.
A preocupação se estende para o milho segunda safra de 2027. O risco é de interrupção precoce das chuvas e aumento das temperaturas durante o desenvolvimento das lavouras, cenário que pode comprometer a produtividade.
